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f.marchini
 


NO FERRO'S BAR

Ele era gente fina demais, mas “galinha” demais, comedor demais, macho demais,
confiante demais; orgulhoso, namorava e desfilava com uma garota muito bonita,
vistosa, falante, da mesma cidade que ele.


Certa noite, inverno de 1973 ou 1974, umas duas da manhã, entrou chorando na Sala de
Operações da nossa empresa e enfurnou-se em uma das cabines de telefonia
internacional, vazia naquele horário, um sábado; ocupado por qualquer razão, mal pude
conversar com o colega mas, alguns dias depois, em escala comum, ainda constrangido,
contou-me o ocorrido:


Passeando com a namorada, ela perguntou-lhe por um tal Ferro’s Bar, que ficava ali na
Rua Major Quedinho ou Rua Avanhandava, centro de São Paulo, pois tinha ouvido falar
que era um lugar muito gostoso e de gente bonita.


Bem, ele estranhou o pedido e não gostou muito da sugestão, pois sabia bem o que era o
Ferro’s mas, com a insistência da noivinha, lá foram os dois para o tal bar, sentaram-se
e aí, segundo ele, começaram a olhar o ambiente, alguns poucos casais
e muitas, muitas mulheres, algumas expansivas, bebendo, petiscando, conversando,
outras mais quietas olhando-se, acarinhando-se, beijando-se discretamente.


Ele logo quis sair, mas a namorada dizia que não, que estava gostoso, que queria ficar
mais um pouco, que tinha visto uma amiga e que iriam conversar e ele insistindo em
sair e ela insistindo em ficar, começam a discutir e daí simplesmente ela diz para ele ir
embora que ela iria ficar no bar até a hora que quisesse.


Dito isso, levanta-se da mesa e vai para outra onde estavam algumas meninas, beijando
uma delas e sentando-se não sem antes olhar para ele com ar de deboche.


Meio sem entender, ou melhor, recusando-se a aceitar, saiu para a rua e desceu a
Martins Fontes e São Luis até nosso escritório, onde desabou e chorou por horas, de
raiva e de orgulho ferido.


Para quem não entendeu nada do acontecido, explico: o Ferro’s foi um bar de lésbicas
famoso em toda região boêmia do centro de São Paulo, motivo da curiosidade dos
molecões que éramos.


Em nossa idiotice e imaturidade dos vinte, vinte e dois anos que tínhamos todos,
acreditávamos que bastava irmos lá com nossa macheza para recuperar as “sapatonas”,
bastando lhes dar um “chá de pau-barbado” que viriam para nosso “abatedouro”.


Quando lembro dessa história, eu me dou conta do volume de besteiras e de quanta
grosseria falávamos sem sequer imaginar o quão ofensivas eram e que havia um lado muito mais vivido e muito
mais safado do que nós, que quando estávamos indo já estavam voltando e rindo nas
nossas costas.


Eu particularmente não vivi essa situação - só outras, até piores - mas o colega chorou
uma semana e viu seu orgulho de macho caipira ser estraçalhado num piscar de olhos,
no exato tempo que durou tomar uma cerveja no Ferro’s Bar!


Santo André, 15.09.2008



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 23h03
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ECONOMIZE ÁGUA.

Manual Maria Barbosa du BOCAGE (1765-1805), um dos famosos poetas portugueses, demonstra sua verve e sua preocupação com o bom uso da água.

Agradeço ao colega que exumou tal preciosidade, com expressões de época mas que facilmente compreensíveis. 

A ÁGUA

Meus senhores eu sou a água

que lava a cara, que lava os olhos

que lava a rata e os entrefolhos

que lava a nabiça e os agriões

que lava a piça e os colhões

que lava as damas e o que está vago

pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água

que rega a salsa e o rabanete

que lava a língua a quem faz minete

que lava o chibo mesmo da rasca

tira o cheiro a bacalhau da lasca

que bebe o homem que bebe o cão

que lava a xoxa e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água

que lava os olhos e os grelinhos

que lava a cona e os paninhos

que lava o sangue das grandes lutas

que lava sérias e lava putas

apaga o lume e o borralho

e que lava das guelras ao caralho
 
Meus senhores aqui está a água

que rega as rosas e os manjericos

que lava o bidé, lava penicos

tira mau cheiro das algibeiras

dá de beber às fressureiras

lava a tromba a qualquer fantoche e

lava a boca depois de um broche.


Divulguem esta pérola da literatura... e poupem a água para o bem do nosso ambiente. 

 

 

 



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 19h27
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E A FIFA É QUEM MANDA

BRASIL, UM PAÍS NÓRDICO.

Você sabia que... a mamãe Fifa vetou a dupla Lázaro Ramos/Camila Pitanga na apresentação do sorteio dos grupos da Copa e escalou o casal Rodrigo Hilbert/Fernanda Lima?

 

Da Coluna do Malia/ESPN



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 12h46
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Três Tailandêses na Boa Vida



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 12h44
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CINEMA NACIONAL

NEO-PORNÔ UNIVERSITÁRIO

Canal Brasil, "NA CARNE E NA ALMA". Na sinopse da emissora, "Rodrigo é um jovem sedutor sempre bem sucedido com as mulheres. Sua história muda quando conhece Mariana, uma garota de temperamento difícil. A relação entre ambos é de dominação, repleta de jogos sexuais e provocações."

Ele é um universitário sem dinheiro e ela garota rica do Leblon, com hábitos e expectativas
de vida incompatíveis, mas em comum são ambos órfãos de pais vivos.

Como espectador leigo, poucas vezes ouvi tanto "vazio" dito ora em tom solene ora indignado, bem como citações fora de hora de intelectuais e acadêmicos, temperadas por cenas de sarilofilia e "scat" quase explícitos.

O filme não atinge o ruim absoluto, até mostra alguns dos tais "conflitos existenciais", mas o que me incomodou foi o pedantismo e a perfumaria revestindo um história que poderia tranquilamente ter sido escrita e dirigida por David Cardoso ou Ody Fraga, cineastas da Boca do Lixo nos anos setenta. E teria sido uma história genial se o Jean Garret estivesse por perto.

Só um destaque: a personagem Mariana, intensamente "louca", solar e enérgica, quando aparece no final do filme com o antigo namorado, mostra-se um trapo, conformada, insatisfeita e infeliz!
Feliz casamento!

 

Feliz



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 12h31
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TOLERÂNCIA OU INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Ontem, na Casa do Advogado de Santo André, a Dra. Damaris Dias Moura Kuo, Presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado de São Paulo, ministrou bela palestra sobre os "FUNDAMENTOS JURÍDICOS DE LIBERDADE RELIGIOSA", em evento realizado pela Comissão de Liberdade Religiosa da casa.

Uma fala concisa, simples, objetiva e, principalmente, universal, avaliando e mesclando situações e fatos que afetam indistintamente as várias profissões de fé que existem no Brasil, fontes potenciais de conflito como, por exemplo, crucifixos em prédios públicos, pregações dentro de trens, cultos de várias vertentes incomodando terceiros, assistência religiosa diferenciada em estabelecimentos penais e hospitalares, dias de guarda de judeus e muçulmanos que coincidem com os dias úteis cristãos, etc.

Uma das perguntas pós-palestra foi feita por um Pastor questionando o feriado da Padroeira do Brasil, um feriado CATÓLICO que não tem valor nenhum para outras crenças mas todos têm que respeitar.

Eu, Fernando, agnóstico, também manifestei-me pois sinto-me ofendido com as isenções tributárias dadas aos templos de qualquer natureza. Por que? Sem maior profundidade de análise, claro que a origem está no Brasil colônia dominado pela carolíssima e beatíssima corte portuguesa mas, salvo engano, a República data de 1889.

Agora, há minutos, vejo que um pastor de Águas Lindas de Goiás quer tirar a imagem de Nossa Senhora Aparecida de uma praça da cidade, alegando ofensa aos não católicos.

Será que ele está errado? 

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/09/17/pastor-faz-abaixo-assinado-para-retirar-de-imagem-de-santa-de-praca-em-goias.htm



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 17h49
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REVOLTANTE

UM LIVRO TERRÍVEL, UMA HISTÓRIA PAVOROSA!

Ontem, por volta das 16h30min, recebí um livro que havia
encomendado há alguns dias, com a observação: "doutor, que
livro bravo".

Trata-se do "Holocausto Brasileiro - Genocídio: 60 mil
mortos no maior hospício do Brasil", da jornalista mineira
Daniela Arbex, retratando o Colônia, o hospício de
Barbacena, em Minas Gerais, desde sua instalação em 1903.

Bem, por volta de uma hora da manhã virei a última das suas
255 páginas e não consegui dormir antes das quatro da madrugada.

Cada página com uma história real de abominações e
violência, de crueldades, de indiferença e de ausências.

Nas palavras do psiquiatra italiano Franco Basaglia, "um
campo de concentração". "Ab absurdo", os nazistas ainda
tiveram seus motivos ainda que imorais e injustificáveis e
jamais perdoáveis.

No caso de Barbacena, um novo holocausto, "genocídio
praticado pelo Estado com a conivência de médicos,
funcionários e da população", sem praticamente nenhuma
motivação exceto a facilidade e a covardia de segregar o
indesejável, esconder o vergonhoso, afastar o diferente,
esconder traições e canalhices.

O link
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2013/06/1297093-estive-hoje-em-um-campo-de-concentracao-nazista.shtml
mostra o que foi essa instituição.

O livro? Bem, terá o destino dos muitos que lí: mais uma
prova de como as pessoas conseguem aperfeiçoar a torpeza e,
na contramão, como alguns poucos conseguem ser a flor do
lodo que representa a esperança de que algum dia as coisas
podem mudar para melhor.



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 11h29
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A MOSCA ONIPRESENTE

QUOTATION OF THE DAY - From The New York Times, Friday July 19, 2013

"The message is that whatever you do, even if you do socially useful things, if you are in opposition to the government, you are going to jail."

 

SERGEI GURIEV, a supporter of Aleksei A. Navalny, the Russian opposition leader who was sentenced on Thursday to five years in prison.                                 

 

Durante o regime militar, de direita, quando os oposicionistas falavam suas verdades o destino era a cadeia, no mínimo.

Na Rússia atual, governada por um ex-KGB dos tempos da esquerda poderosa, quando você fala suas verdades você também vai para a cadeia, também de cara.

Impressionante mesmo é a mobilidade das moscas em busca de seu alimento preferido!



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 10h09
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SOBRE VÂNDALOS E VANDALISMOS

SOBRE VÂNDALOS E VANDALISMOS

 

Eu chupei parte deste título de um jornalista cujo trabalho e qualidade de texto é brutalmente fora da curva da imensa maioria dos demais escrevinhadores sobre esportes, do futebol particularmente, cujos artigos são paupérrimos por sua obviedade, inúteis pelo enfoque e não tem meio porcento sequer da qualidade dos antigos bolsilivros em papel jornal com aventuras de "cowboys" ou da "Giselle, a Espiã Nua que Abalou Paris", que divertiam sem compromisso e faziam o tempo passar rápida e prazerosamente.

O Lúcio de Castro atua na ESPN e há poucos meses gerou a excelente série de reportagens, que deve ser assistida, "Memórias de Chumbo: O Futebol Nos Tempos do Condor", sobre como os governos militares do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai atuaram nessa área em seus anos gloriosos, fazendo valer, para seus próprios fins, a máxima esquerdista do "futebol como ópio do povo". Irônico!

O artigo de hoje em http://www.espn.com.br/post/342645_sobre-vandalos-vandalismo-e-a-concessao-do-maracana trata do escândalo que foi a concessão do Estádio do Maracanã para particulares, após ter sido reformado pelo Estado por mais de um bilhão e meio de reais.

Desse artigo o que mais me atraiu - até por não ter sentimentos pessoais e de afetividade com o Maracanã - foi o quarto parágrafo, que abordou as manifestações do mês passado principalmente:

ABREASPAS >> Tivemos de tudo no último mês. Infiltrados, nazifascistas e ultraconservadores no meio de protestos legítimos. Teve também gente desqualificada cometendo o pecado de apedrejar o Itamarati, o Paço Imperial...Mas destacar isso acima de tudo o que aconteceu nas ruas é Marilena (Chaui) de volta em estado bruto ("a ideologia abafa a essência dos acontecimentos") << FECHAASPAS.

Fazendo apenas um recorte, o Lúcio em síntese e como uma vertente de sua análise, considera vândalos muito menos os que jogaram pedras em monumentos históricos e arquitetônicos mas, muito mais e certeiramente, as autoridades que teriam por obrigação legal manter essas mesmas propriedades e proteger - em sentido amplo - esses monumentos para serem usados e bem utilizadas pelo povo; aliás, povo é uma palavrinha curtinha e safada, utilizada ora como ouro ora como lixo, conforme o caráter do político e adequação ao momento.

Com certeiro enfoque, e sem aliviar a responsabilidade e os atos dos, no entendimento básico do povão, delinquentes e desqualificados, eleva a crítica e dirige tais desqualificativos aos pais da pátria vendidos de qualquer naipe, esses sim os reais delinquentes e desqualificados.

Como senão personalíssimo: para mim, conservadores e ultraconservadores também podem e têm sim o direito de fazer protestos legítimos por seus valores; não há isonomia em admitir progressistas como os únicos donos das ruas e da verdade, haja vista essa Comissão da (meia) Verdade que somente analisa um lado da história. Mas, vá lá...

...e é melhor ler diretamente na fonte o artigo do Lúcio de Castro, que vale cada parágrafo, cada sentença, cada virgula e cada silêncio!

http://f.marchini.blog.uol.com.br/ 

@marchinisilva



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 18h12
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UM VAGO PRETEXTO

É complicado controlar opiniões normalmente conservadoras ao opinar ou simplesmente achar algo sobre essas manifestações de rua por considerar que, num primeiro momento, vinte centavos foi um motivo banal, muito fraco. Mas foi um belo gatilho.

Vinte centavos em trinta dias por três ou quatro conduções diárias representam, no máximo, R$24,00 ao final do mês.

E acho insustentável essa motivação porque, ao conversar com muitos e diversos manifestantes, notei que carregavam no bolso um maço de cigarro cujo preço médio é de R$6,00 ou R$180,00 no mês, sem falar das cervejas na balada para uns ou da cachacinha diária para outros.

E esta posição não é moralista, pois para mim - irrestritamente - que fume quem quiser fumar, que cheire quem quiser cheirar, que beba o quanto quiser quem quiser beber, não sou fiscal de nada nem de ninguém.

Mais: em qualquer ônibus ou trem, na filas e nos corredores de "shopping-centers", como se estivem em transe centenas ficam teclando e "torpedeando" em seus celulares e pagando para as operadoras tarifas extremamente caras, até indecentes. Quando reclamam, é mais em tom de aceitação do que de protesto.

Para esse tipo de gasto e seus aumentos sem controle, não reclamam, pagam prazerosamente e não saem em passeata...


AS MANIFESTAÇÕES

Mas, sem reservas, eu gostei de ver e aplaudi com gosto as ainda poucas e esparsas faixas e cartazes reclamando de moradia e melhor transporte, reclamando da falta de assistência médica e de postos de saúde com pelo menos gaze e esparadrapo. E até como comentário deslocado e adicional, que besteira importar médicos; teria é que existir condições para os nossos trabalharem nos fundões!

Gostei de ver quem pediu trabalho e emprego para os que estão entrando agora no mercado e também valeu a atitude de quem pediu educação superior para mais gente e com qualidade.

Parabéns para quem reclamou da insegurança pública e da proteção que só é dada para poucos, mas não percebi ninguém reclamando das leis que só enfatizam direitos pessoais e deixam de lado as obrigações pessoais. Onde está a coerência?

Gostei de ver quem desprezou as bandeiras de partidos políticos e de entidades oportunistas querendo pegar carona no que - numa primeira e talvez ingênua observação - nasceu sem esse pecado original.

Excelente ainda as inserções de última hora ridicularizando e marcando a primeira consulta de "cura-gay" para o vocês sabem quem!

Mas senti falta de outras queixas até mais importantes, de muitas mais placas e cartazes, de infinitas placas e cartazes berrantes e garrafais reclamando da roubalheira e corrupção sem freio por todos os cantos e da política sem ética desde que Brasil foi descoberto, tanto quanto senti falta de placas nomeando políticos notoriamente medíocres e populistas.

Senti falta de placas reclamando da péssima qualidade da escola básica que diploma analfabetos e de gestores que admitem o "nóis faiz" e o "nóis foi" como prosódia alternativa. E onde estavam placas pedindo para que alunos parem de espancar professores e de brigarem e de se matarem por tolices?

E a lembrança e os apelos para que pais parem de ensinar seus próprios filhos que porrada é a melhor solução para crescer? Que eu saiba, crianças não nascem bandidos, só depois é que muitas seguem essa estrada.

E por que não - aproveitando a ocasião perfeita - reclamaram da proposta de anistia de três bilhões de reais em dívidas dos clubes de futebol com a justificativa "do futebol ser bem cultural imaterial do povo brasileiro que tem que ser preservado"? Para dar mais dinheiro para incompetentes ou até ladrões descarados?

Senti falta dos pretos nessas passeatas. É isso mesmo, dos pretos, sem o ridículo "afrodescendente" importado dos Estados Unidos que substituiu o "negão" informal e sem racismo que era nosso costume. Muito poucos, quase indistintos, desapercebidos. Será que esses protestos - como foi a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" - são exclusivos da classe média e de brancos paulistas das escolas superiores? Estranho demais.


DIE POLIZEI UND IHRE GUMMIGESCHOSSE.

... mas balas de borracha, e cassetetes, também machucam, cegam, injuriam mais moralmente do que fisicamente até.

Sentir-se reprimido por alguém que vive e trabalha no mesmo lugar e que tem as mesmas carências, que reclama do mês mais comprido que o soldo, que via de regra nasceu povão e que por usar uma arma sente-se poderoso, é contraditório, é inexplicável, é insano, é injusto, é revoltante, não deveria acontecer...


OS VÂNDALOS E ARRUACEIROS

É de lamentar, mas existem aos montes e não merecem o mínimo "direito humano".

Ao contraporem os apelos de "sem violência" com o coral de guerra "sem moralismo", abriram espaço para a bandidagem comum aproveitar e saquear.

Mais do que desprezo, punição pesada para essa escória que está estragando o que bem pode ser o início de mudança de costumes lassos, acomodados, do nosso jeitinho safado de levar a vida e de deixar passar o que está errado.


E CONCLUINDO...

... é bom saber saber que "apenasmente" torcer para o Brasil ganhar a Copa como se fosse a solução dos nossos problemas é mera perfumaria, é como desodorante, quando vence o tempo a catinga volta!


@marchinisilva



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 13h57
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SÓ A COR É DIFERENTE

Talvez esta seja a terceira vez que eu repito essa postagem, originalmente de 14 de novembro de 2007...

 

MEMÓRIA:- Billie Holliday, uma mulher de coragem

Negra, ousou cantar essa canção em 1939, desafiando o então brutal preconceito racial na América

 

STRANGE FRUIT

Southern trees bear a strange fruit, >                 As árvores do sul suportam uma fruta estranha
Blood on the leaves and blood at the root, >       Sangue nas folhas  e sangue nas raízes
Black body swinging in the Southern breeze, >  Corpo negro balançando na brisa do Sul
Strange fruit hanging from the poplar trees.>      Fruta estranha pendurada nos álamos

Pastoral scene of the gallant South, >                 Cena pastoral do sul airoso 
The bulging eyes and the twisted mouth, >         Os olhos esbugalhados e a boca torcida
Scent of magnolia sweet and fresh,>                  Suave aroma de magnólia, doce e fresco 
And the sudden smell of burning flesh! >             E o cheiro repentino de carne queimada

Here is a fruit for the crows to pluck, >               Aqui está uma fruta para os corvos bicarem
For the rain to gather, for the wind to suck, >     Para a chuva recolher, para o vento sugar
For the sun to rot, for a tree to drop, >                Para o sol apodrecer, para uma árvore cair
Here is a strange and bitter crop. >                     Eis aqui uma estranha e amarga colheita. 


O "link" abaixo os remeterá à portal de extrema crueza, sobre os linchamentos então comuns no sul dos Estados Unidos e que acabaram inspirando essa canção, escrita por um professor judeu de New York, Lewis Allan (pseudônimo de Abel Meeropol).

http://withoutsanctuary.org/ 



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 00h08
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CINEMA E PEITOS NÚS

Em blog abaixo, de 12 de fevereiro, elogiei os peitos nús das meninas do FEMEN que protestam contra o que acham injusto e principalmente contra qualquer intolerância, política ou religiosa.

Nele, comentei rapidamente sobre a exposição crescente dos corpos, principalmente femininos, em certo momento cada vez mais visíveis nas revistas e no cinema.

Até para entender melhor como se deu esse processo de "despudorização", sem aquela visão acadêmica rançosa e pedante da "интеллигенция", sugiro a leitura do Estranho Encontro, da blogueira Andréa Ormond. Aliás, blogueira é uma definição muito pobre para quem escreve muito e com qualidade constante ao analisar a obra dos muitos cineastas que, com bem mais criatividade do que dinheiro e muitas vezes toscamente, impediram que o cinema nacional morresse de morte matada pela chatice do "cinema-cabeça" e pela censura das décadas de sessenta e setenta, principalmente.

O Estranho Encontro está no link "Nas Bocas", aí do lado esquerdo da página.

Uma delícia!

Em russo интеллигенция, "intelligentsia"...



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 15h35
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QUE MENTIRA, QUE LOROTA BOA

A Folha de São Paulo, no artigo http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/22/muita-confusao-em-cannes-como-seriam-chamadas-de-filmes-do-festival-na-sessao-da-tarde.htm brincou com o estilo da TV Globo ao resumir os filmes que passam na Sessão da Tarde, pasteurizando qualquer um deles não importando o argumento.

Eu me permití fazer uma pequena seleção com chamadas no mesmo estilo - que desvirtuam totalmente o enredo correto -  de filmes sérios que provavelmente jamais passariam na Sessão da Tarde, mas que merecem ser reprisados num horário mais avançado e, claro, sem chamadas distorcidas:


NOITE VAZIA, de W.H.Khoury, com Odete Lara e Normal Benguell
Playboys taradões num tremendo DKW Fissore saem paquerando gatinhas na noite paulistana até encontrarem duas tremendas potrancas fogosas e cheias de grilos e que irão esvaziar seus bolsos e virar suas cucas de pernas para o ar. Uau...


DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, de G.Rocha, com Othon Bastos, Yoná Magalhães e Geraldo Del Rey
Deu a louca no sertão: um coronel e um padre bem sacana contratam um matador de aluguel para acabar com um pregador doidão e com um bando de cangaceiros levados da breca que vivem aprontando a maior fuzarca na caatinga... e tudo acaba num banho de mar nas lindas praias do nordeste...


O ASSALTO AO TREM PAGADOR, de R.Farias, com Reginaldo Faria, Grande Otelo e Ruth de Souza
Tião Medonho aprontando todas na estrada de ferro e nos morros cariocas, uma socialite carente e um pilantra bonitão com muita grana para gastar... mas sua turma não podia saber. Só podia dar confusão e tiros, com balas voando para todos os lados. Segurem-se nas poltronas e vejam esse tremendo banzé...


PRÁ FRENTE, BRASIL, de R.F.Farias, com Reginaldo Faria, Carlos Zara e Elizabeth Savalla
Ri-fi-fi no tri: só mesmo a imaginação desvairada do reteirista para criar essa história fantástica de agentes de lei perseguindo bandidões e uma tremenda gatinha em plena copa do mundo. Muita ação e correria, capotamentos espetaculares e a torcida gritando Prá Frente, Brasil... gooooolllllll!

BATISMO DE SANGUE, de H.Ratton, com Caio Blat e Cassio Gabus Mendes
O seminário pirou de vez: um padre avançadinho, um delegado doidão e um catecismo diferente, só tinha mesmo que acabar em fugas espetaculares, mil esconderijos e telefonemas cheios de mumunhas e babados. Prepare seu coração, a pipoca e a latinha de cerveja, você vai se emocionar com esse Batismo de Sangue que até poderia ter acontecido no Brasil...


DOM, de M.Góes, com Marcos Palmeira e Maria Fernanda Cândido
Será que o filho é meu? Inspirada na obra de Machado de Assis, uma história de amor, sexo e ciúmes doentios. Ele tinha tanto medo de ter sido traído pelo amigo do peito que deixou sua linda e apaixonada mulher completamente pirada, perdendo tudo o que amava...

 



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 14h45
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SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA E DIREITOS DE CIDADANIA

Ao acompanhar as notícias diárias sobre os crimes que estão acontecendo nesta terrinha desabençoada (é isso mesmo, em algum momento pode ter sido abençoada, mas hoje...), quase creio que a nossa "Constituição dos Miseráveis", na expressão de Ulysses Guimarães, é na realidade uma constituição miserável, de leis miseráveis e de muitos legisladores omissos.

Durante a Constituinte, ao utilizarem o momento histórico da redemocratização, enxertaram tantos e tantos direitos e garantias para os cidadãos que se esqueceram que Ordem e Progresso é uma faca de dois gumes, pois também exige muitas obrigações.

No mesmo tempo em que incluíram proteções contra abusos do Estado que ocorreram no momento politico imediatamente anterior, deveriam ter garantido segurança aos cidadãos que apenas necessitam trabalhar e viver em paz e sem riscos.

Mas não: qualquer boçal armado que assalta e mata quase sempre fica impune e, se "por acaso" acaba preso, encontra milhares de defensores exigindo respeito e bom tratamento para essa pústula.

E a família da vítima? Fica chorando e chupando o dedo, pois raramente alguém sai para defendê-la com igual ênfase.

É justo alguém estar jantando em uma pizzaria chique e ser assaltado? É justo alguém estar voltando suado e malcheiroso para casa num ônibus superlotado da periferia e dele ser escorraçado por marginais maiores e menores que os assaltam e põe fogo na veículo?

Quando saio para a rua, e agora mais ainda pois tenho que assistir idosa de noventa anos com reduzidíssima mobilidade, tenho que ter quatro olhos ariscos para ver se alguém se aproxima com más intenções... e tenho medo!



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 14h28
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DIA DAS MÃES

Como o Dia das Mães está chegando, logo aí no próximo 12 de maio, domingo, nada mais justo do que minha singela homenagem à tão valorosas criaturas.

 

Nordestina, sessenta e muitos anos, faxineira, muito educada, trabalha umas sessenta ou setenta horas por semana, acaba de perder a filha de trinta anos por pneumonia mal-curada. Na segunda ou terça-feira, sem saída, voltará ao batente pois é arrimo de família.

Caiçara, trinta e sete anos se tanto, quatorze filhos de oito pais diferentes. adora bailes de fim-de-semana, nos quais qualquer canto semideserto e qualquer sombra é pretexto para amar apaixonadamente

Paulistana da Zona Norte, vinte e poucos anos, viciada em craque e pinga pura, grávida do quarto filho de três pais também diferentes; seu atual companheiro está preso por roubo de carro.

Ela, na Zona Sul da Grande São Paulo, tem quinze anos, magérrima, grávida, com barriga enorme que já abrigou outro moleque, busca roupas usadas em casas de caridade e pede trocados na feira de sábado.

Em outra periferia, com nove anos, um cigarro na mão, um palavrão na boca e uma incipiente barriga de quatro meses, gera um filho-irmão.

Caipira, cinco anos, dada ao traficante adolescente pelo próprio pai como pagamento de dívida de R$30,00 em drogas. 

...e chega!

 

 

 



Escrito por Fernando Marchini D.S. às 20h40
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